“Eu queria agradecer a todo mundo”, diz Tuyz em entrevista exclusiva

Acabou a jornada da LOUD no VCT Américas 2024. Após perder alguns jogos, a equipe se encontra eliminada e não existe mais chance para se classificar para os playoffs e para o Champions. Depois do jogo contra a 100 Thieves, onde eles ganharam de virada, conversamos com o Tuyz. O jogador contou um pouco sobre o que aconteceu com o time nesse ano, algumas decisões do time e perspectivas para o futuro, confira:

“Óbvio que ninguém queria estar passando por isso”

Equipe da LOUD, pela última vez no palco do VCT Américas, em 2024, depois de ganhar do jogo contra a 100 Thieves

Equipe da LOUD, pela última vez no palco do VCT Américas, em 2024, depois de ganhar do jogo contra a 100 Thieves – Foto: Tina Jo/Riot Games

Para começar bem a entrevista, queria saber um pouco dessa série contra a 100 Thieves. O primeiro mapa, a Ascent, foi um mapa muito atípico de vocês. Contudo, ainda assim, vocês conseguiram voltar para o servidor bem e ainda ter a vitória. Como foi esse momento entre mapas? O que foi que vocês conversaram? Tem alguma coisa para dizer sobre essa série?

Eu acho que no primeiro mapa, a gente pecou muito em trades. Acabamos morrendo meio que sozinhos, como se não tivesse ninguém acompanhando um ao outro. Acho que a gente pecou bastante nisso. Agora, no segundo mapa, a gente veio com trade muito melhor e a gente se sobressaiu melhor contra eles. Eu acho que essa foi a principal coisa que prejudicou a gente no primeiro mapa e que conseguimos consertar no segundo.

Também teve a questão da resiliência. Conseguimos aquecer e fomos com tudo para o segundo mapa. Querendo ou não, a Bind era um mapa muito bom deles e conseguimos entender bem o plano que eles iriam tentar executar. No fim, eu acho que a gente fez um bom trabalho.”

As últimas semanas para a LOUD estavam sendo bem duras. Além da performance do time, as redes sociais estavam fervendo. Mesmo sabendo que vocês se fecham bastante, algumas coisas devem acabar impactando. Então, eu queria saber como foi essas últimas semanas para vocês? Ainda mais por você ser umas das pessoas que estava sendo alvo dessas conversas.

“Acho que por coisas de fora, eu tenho certeza que não me impactou por nada. Acredito que o que acabou tendo mais impacto, foi a mudança de função em cima da hora. Eu estava acostumado a jogador de controlador e aí eu mudei para Flex. Foi difícil de se acostumar e acho que ainda fiz um bom trabalho, ainda mais depois que ainda mudei para duelista.

Nós conversamos e eu mudei para duelista, que aconteceu dois dias antes do jogo. Eu nem tive quase tempo para treinar, alinhamos as coisas internamente e aplicamos já. Então acho que acho que a mudança de função acabou impactando bastante. Por exemplo, os meus números estavam ruins, porque, querendo ou não, são funções que eu não tenho nenhum problema de fazer, mas é que eu não estava com tanto tempo para treinar.

Então, acho que impactou bastante isso e as coisas de fora não impactam tanto, porque a gente é profissional. Nós vamos para o jogo e vamos fazer o que deve ser feito, da forma que devemos fazer.”

Na semana retrasada, em uma entrevista que eu tive com o Saadhak, ele disse muito sobre a insatisfação com o seu desempenho de duelista. Contudo, teve algo que ele disse na entrevista, que acabou deixando muita gente confusa. Ele comentou que você não estava confortável em jogar de duelista. O que eu queria saber era se você não estava de jogar na função de duelista ou jogar com os duelistas do meta, que é a Neon e Iso.

Controlador, querendo ou não, é a função que eu mais estou acostumado, tipo que é o que eu mais gosto. Então, a nossa conversa foi tipo: Como duelista, eu posso até fazer, mas tipo é uma função que eu não tô tão confortável. Porque nem nas ranqueadas eu jogava de duelista, porque eu estava acostumado a jogar com os bonecos mais para trás.

Então, eu sentia que estava bem enferrujado de duelista. Além disso, também era um desejo do Matias (Saadhak) de jogar como duelista. Até porque ele é um cara para frente, ele gosta de fazer essa função de ir para frente. Então a gente juntou o útil ao agradável. Ele era um cara que gostava bastante de jogar de Neon. E para nós foi bem legal essa opção.”

Você falou muito sobre como estava confortável de jogar como controlador, mas teve que mudar para flex e duelista. Você sentiu muita dificuldade em atuar na nova função? O que você mais achou de diferente? Foi um pouco sobre mudar a mentalidade do estilo novo de se jogar?

“Querendo ou não são coisas completamente diferentes. Normalmente, o controlador é o cara que completa o time. Ele também trabalha muito rodando os gaps, dando corpo a sua equipe. É um pouco mais complexo, porque como você está atrás, acaba jogando mais focado nas trocas. Agora, para flex, o time acaba necessitando de alguém que fale mais e passe uma noção completa do mapa.

Ou seja, são duas coisas bem diferentes. Além disso, para o duelista, tudo muda, é completamente diferente. Você tem que puxar mais o time, fazer algumas loucuras no mapa e é isso. Porém, são funções que, se uma pessoa que tira o tempo para aprender, vai começar a desempenhar bem ao longo do tempo. É bem normal, no curto prazo, não ter tanta experiência e acabar errado algo bobo.”

pANcada e Tuyz, conversando antes do jogo, representando um ídolo e o seu fã

pANcada e Tuyz, conversando antes do jogo, representando um ídolo e o seu fã – Foto: Tina Jo/Riot Games

Sei que ninguém imagina que vamos passar por momentos tão complicados na nossa carreira. Aposto que você nunca imaginou que teria um ano tão complicado. Contudo, são nesses momentos que nos tornamos mais fortes. Então, gostaria de saber como foi passar por essa época sombria na LOUD? Podemos dizer que isso ajudou a moldar um pouco mais do seu caráter?

“É muito claro que os resultados foram ruins. Óbvio que ninguém queria estar passando por isso. Porém, em todas as coisas que eu passo na minha vida, eu tento levar para um lado bom. Busco encontrar algum aprendizado, para virar um novo homem, um novo profissional. Então, querendo ou não, todas as situações que eu passei esse ano, até metade do ano, quando eu tava de controlador, modéstia a parte, eu acho que eu tava jogando muito bem.

Depois eu tive que fazer uma função diferente e não tive um desempenho tão bom quanto eu estava tendo. Contudo, eu acho que quem não vai abrir muito leque para mim, independente da função que eu for jogar no ano que vem, independente do que acontecer. Acredito que vou levar esse aprendizado, vou ter uma visão mais ampla de jogo.

Agora vou ter a noção de como um iniciador pensa, como devo agir com o time e essas coisas. Então, para mim, todas as situações que eu vivo eu tento aproveitar. Lógico que não era o resultado que todos nós queríamos. A gente queria representar a LOUD da melhor forma possível, representar o Brasil, mas não deu certo.

Entretanto, no final de tudo, eu tento tirar as coisas pelo lado bom. Porque eu tenho certeza que eu vou tirar proveito desse tempo ruim, dessas coisas que aconteceram de decisões, dentro de jogo e fora de jogo em time. Tudo isso vai me ajudar a ser um novo homem e um melhor profissional, em todos os quesitos.”

Falar sobre o futuro ainda é muito cedo, mas os campeonatos offseason vão começar a aparecer. Durante algumas entrevistas, tanto o Less, em uma exclusiva, como o Saadhak, na transmissão oficial, disse que queria jogar mais. Como você vê essa vontade de participar desses campeonatos? Acredita que é uma chance de chegar melhor para o VCT Américas no ano que vem, como foi com a Sentinels entre 2023 e 2024?

“Acredito que sim, sempre é importante participar disso, porque são quantidades maiores de campeonatos. Além disso, o nosso calendário não é muito grande, tem muito espaço entre os anos competitivos e são poucos oficiais. Então para você criar casca, jogar em lan ou até mesmo lidar melhor com a pressão, é necessário jogar. Quero dizer, é sempre importante você jogar mais campeonatos.

É só você ver os outros FPS, tem umas pessoas, 16 ou 17 anos, que você vê e eles não sentem tanta pressão nos campeonatos. Isso se deve porque ele tá jogando a toda hora, todo campeonato que aparece. Então, acho que é bem importante você ter mais experiências, para que você consiga se moldar melhor.

Ainda mais se você é um um time que trocou de jogador recentemente, como foi com o nosso caso. peça nosso exemplo. Nós trocamos de jogador no início do ano, trazendo o qck. Por mais que ele tivesse experiência nas franquias, é uma peça nova do time. Nesse caso, seria muito bom jogar alguns campeonatos offseason com ele, para criar essa casca, essa sinergia com o time.

Porque, querendo ou não, o campeonato é totalmente diferente do treino. No treino, você enfrenta diversas situações que você às vezes nem enfrenta no campeonato. Muitas vezes nos treinos acontecem coisas que nunca vamos ver. Tipo, tem times que acabam rushando de uma forma totalmente agressiva, o que acaba dando essa diferença toda.”

Tuyz, o antigo controlador da LOUD, que depois atuou como flex e agora é o duelista da equipe

Tuyz, o antigo controlador da LOUD, que depois atuou como flex e agora é o duelista da equipe – Foto: Tina Jo/Riot Games

Aproveitando que você disse sobre treinos, queria explorar mais sobre isso. Em algumas conversas passadas, o Less disse que vocês estavam amassando nos treinos. Estavam jogando contra times das Américas, do tier 2 e ganhando de geral. Então, eu queria entender o que faltou para vocês conseguirem converter esses resultados para as partidas oficiais?

Eu sinto que nos treinos a gente é diferente. Não tô falando que nós somos mais agressivos ou qualquer outra coisa do tipo. Porém, nós enfrentamos adversários diferentes e às vezes temos jogos bem diferentes. Acho que o nervosismo não tem nem como falar, pode ser que a gente tenha ficado impactado algumas vezes, mas não tem nem como falar que é culpa disso.

Eu considero que o nosso time tem bastante casca. Nós tivemos um ano passado muito bom, conseguimos erguer um troféu e a gente passou por muitas situações adversas. Então acho que a LOUD é um time com muita casca. Por isso que eu acho que nervosismo não foi algo impactante, por mais que possa ter rolado algumas vezes.

Acredito que o nosso maior problema foi na questão de sinergia. Tipo a gente se encontrar como um time dentro do jogo e tudo mais. Acho que a gente acabou se perdendo um pouco, mas a gente tentou o nosso máximo. Infelizmente não conseguimos sair da melhor forma possível, mas eu tenho certeza que todo mundo deu 100% de si.”

Então, para finalizar, sei que vai ser difícil encontrar com você ou com a LOUD agora no futuro. Uma vez que os campeonatos oficiais acabaram, não sabemos como vai ser o caminho da equipe na offseason. Por isso queria deixar esse espaço aberto para você deixar um recado para os seus fãs.

Eu queria agradecer a todo mundo porque esse foi nosso último nosso último jogo e não tem como saber sobre o futuro. Até porque o futuro só Deus sabe. Então, eu queria agradecer todo mundo, família e amigos, todas as pessoas importantes da minha vida, a torcida também, que são muito importantes. Obrigado por sempre acompanhar. Eu sei que tem muita galera que gosta muito de mim, no Twitter ou em qualquer rede.

Tá sempre torcendo por mim, então queria agradecer por vocês que continuam torcendo pela LOUD, torcendo para o nosso time, todo mundo que tá no time. Todos deram o seu máximo, nunca rolou alguém deixar de querer fazer alguma coisa. A gente sempre tentou ajeitar os problemas da melhor forma possível. Então queria agradecer muito e pedir desculpas por qualquer coisa, se falhei como jogador ou como pessoa. Queria deixar o meu muito obrigado e até a próxima.”

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