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EEEEEEEEEEEEE COMEÇOU! Com estreia dos times recém-formados da MiBR e da KeyD, e início oficial da VCT: OFF//SEASON, o camp foi, como diria o Ziggs, um estouro. Com dois invites brasileiros e dois latino-americanos, a LATAM GODS deu o que falar.

Reprodução: Twitter/@MovistarGC

O campeonato:

O campeonato realizado entre os dias 2 e 4 de dezembro foi uma pequena mostra do que podemos esperar de alguns torneios Tier 1 e 2 a partir do ano que vem.

Por que eu digo isso? Bom, como todos sabemos, a franquia do Valorant já está fechada, mas isso não significa que todo o resto vai parar. Entre os 10 times selecionados para ir jogar em Los Angeles no ano que vem, só cinco são da América do Sul, sendo eles Furia, LOUD e MiBR, representantes do Brasil, e Leviatán e KRÜ do resto da América do Sul. Um fato curioso, que só posso inferir ter a ver com a proposta monetária dos times para a franquia e o desempenho internacional, é que a América do Sul norte e América Central ficaram sem espaço na franquia, deixando a times como Fusion, Six Karma, E-Xolos Lazer e Border Monsters de fora do campeonato oficial.

E não só isso. Outros times gigantes do Brasil e do LAS também ficaram fora. Alguns deles são Gamelanders, NiP e Los Grandes do Brasil, e 9z, Optix e EBRO, igualmente importantes para a região.

Essa introdução serve para mostrar a importância de camps como esse para o cenário competitivo, sem contar que a partir de 2023 existirá um tipo de torneio de ascensão, anunciado pela própria Riot, onde esses e outros times poderão trocar bala pela entrada no circuito fechado, e a possibilidade de participação nos grandes eventos internacionais. Claro que alguns times que não conseguiram entrar na franquia simplesmente vão acabar ou explorar outros jogos, mas todos os outros vão continuar competindo em campeonatos menores e regionais, para demonstrar a qualidade dos seus players, comissão técnica etc., porque, com certeza, os times lá de fora vão procurar novas oportunidades e promessas aqui, na nossa região.

Voltando ao campeonato em si, a proposta do torneio era um pouco diferente de outros torneios parecidos. Assim como a Pain Gaming projetou no novo centro de treinamento, o objetivo era ter uma interação maior entre os fãs e os jogadores. Para isso foi utilizado a Movistar Game Club em Santiago, Chile, um centro de alto rendimento (basicamente uma Lan-House com um nome mais bonito e focado em esports e conteúdo de jogos competitivos) relativamente pequeno se comparado com um estádio, onde normalmente se fazem esse tipo de eventos, o que, para muitos, foi um baita acerto.

Em entrevista exclusiva para a Esports.net, Camila “BoAx” Hernandez, host de Valorant importante para o mercado latino-americano e uma das comentarista do evento, argumentou que o tamanho do lugar e a organização foram vitais para o bom desenvolvimento do evento:

“A infraestrutura foi ótima para os times que a organização decidiu convidar porque é um centro de treinamento, não é um estádio. Já estive no Brasil, por exemplo, em um estádio para 10 mil pessoas e a experiência é diferente. Era o justo e necessário.”

Sobre a quantidade de pessoas dentro do evento, ela comentou o seguinte:

“Eu gostei muito da questão do número de fãs admitidos dentro do lugar. Tudo foi pensado para que não fique tão cheio e para os jogadores pudessem se sentir mais à vontade. Às vezes nesse tipo de eventos tudo enche muito rápido. Muitas pessoas querendo ver os jogadores e tal. Isso foi controlado com a venda de ingressos limitados para os três dias. Esse planejamento logístico foi ótimo se levado em consideração o tamanho do local.”

E sobre a experiência com os fãs, BoAx disse:

“A ideia do programa era que, diferente das outras vezes, onde as pessoas só veem os jogadores e os times, nós vez queríamos incluir os torcedores de diferentes maneiras. Atividades: fazer entrevistas, convidar streamers, tanto do Brasil como do LATAM, para que eles também vivam a experiência. Não lembro de ter visto isso antes, pelo menos não no Chile ou na América Latina. A narrativa para esse tipo de evento sempre é muito focada nos times, o que é bom em certos aspectos, mas às vezes os torcedores ficam um pouco esquecidos e ver a experiência deles, como eles estão se sentindo, é a primeira vez que vejo isso na câmera.

Houve um dia em que os fãs puderam estar com os jogadores, onde puderam bater um papo com eles, autografar camisas, tirar fotos etc. Comunique-se com eles, aproxime os jogadores dos torcedores. Quer criar uma comunidade fanática? Ter esse tipo de approach é fundamental.”

Por último, quando conversamos sobre a ideia da franquia e os times que não entraram, a chilena disse o seguinte:

“A ideia é que, embora times da franquia como MiBR e Leviatán estivessem lá, havia times que não estavam e que demonstraram. Tanto o Movistar Optix quanto o KeyD estão no nível de times que vão ser franqueados, e isso o torna o cenário interessante. Acho que vamos ter um nível alto, o jogo em si evoluiu muito, e eu gosto de como a América Latina vem evoluindo também.  Temos muitos trunfos para continuar crescendo, e tem havido uma grande evolução de outros times. Cada vez mais vemos jogadores casuais interessando-se ​​em ver o competitivo e isso é um prospecto ótimo para a região.”

As partidas:

Como a maioria já deve saber, a Leviatán de Keznit, Shyy, Mazino e companhia ganhou o torneio. Depois de passar o carreto na Movistar Optix na primeira fase, ganhando a melhor de três por dois mapas a zero, a equipe latina se encontrou pela primeira vez com o MiBR nas semifinais, que vinha com heat e frz embalados depois de um amasso contra a KeyD no terceiro mapa da melhor de três. Infelizmente, o time novo da MiBR não conseguiu segurar o dragão argentino, e caiu por dois mapas a um, sendo jogada direto para a lower bracket e para a revanche com a KeyD.

Ainda assim, em dois jogos bem mais pegados do que nas quartas, o MiBR saiu vitorioso de novo, eliminando a KeyD do torneio e acertando a última revanche contra a Lev na final.

E que série foi essa, meu amigo.

Por mais que a Lev tenha levado a melhor, por três mapas a um, todos os jogos foram super pegados. O primeiro, Haven, foi uma ótima apresentação do MiBR, que virou depois de um começo assustador onde a Leviatán levou os primeiros cinco rounds sem problema nenhum. A partir daí: Só deu dragão, que voltaram, por exemplo, de um oito a dois na Fracture, e fecharam a série de maneira decisiva no quarto mapa.

Essa é só uma prévia do que virá a ser a próxima temporada do nosso querido Vava. Torneios menores para incentivar aos times que ficaram por aqui e preparação para a tentativa de ascensão.

O LATAM GODS foi vital para esse primeiro momento que, querendo ou não, ainda é de bastante incerteza. E eu achei incrível.