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Como sabemos, o Berlin Major chegou ao fim com uma vitória muito concreta por parte da Gaimin Gladiators sobre a Team liquid por 3 – 1 na grande final.

No entanto, outra grande vitória foi a do time sul-americano Evil Geniuses que, após derrotar a OG de Yuragi, Taiga e companhia, conquistou o Top 4 do campeonato e levaram consigo $50,000 dólares do prêmio de volta para casa. Essa conquista foi a primeira em muito tempo, já que, a única comparável para um time sul-americano, é a da histórica campanha da paiN Gaming na ESL ONE Birmingham 2018, que conquistaram o terceiro lugar ao superar a Fnatic. 

Foto: Twitter/@VamosEG

Durante o último día do Berlin Major tivemos a oportunidade de conversar um pouquinho com Igor “kaffs” Furtado, atual Coach Asistente da Evil Geniuses e um dos cérebros por trás da equipe. Fiquem com a entrevista exclusiva na integra, e para mais resumos dos dias do torneio, cliquem aqui!

Você acha que o Brasil mereceria receber um evento de Dota 2 deste porte?

Eu acho que merecer é complicado porque o Dota no Brasil já está em decadência faz um tempo e estão tendo eventos de esports de grande porte no Brasil, mas são de CS:GO, que é um jogo muito maior no Brasil, por fatos históricos. No Peru deu certo, até certo ponto, porque existiram alguns problemas consideráveis, mas teve muito público.

O público de Dota no Peru chamou a atenção, porque ele é muito maior. Eu não tenho certeza como seria um evento de grande porte de Dota no Brasil. Como seria o público, a aceitação e tudo mais, mas nós temos todo o resto, eu diria. Em questão de estrutura, por exemplo, nós somos até melhor que o Peru, né? Então seria uma questão de avaliar a viabilidade a partir da demanda de público que um evento como esse geraria. Mas para quem vive de Dota, e ama Dota, no Brasil, seria fantástico.

Como parte do coaching staff, o seu objetivo principal é entender o meta e procurar as melhores estratégias. Quando você viu o patch (7.33), e as mudanças que ele trouxe, qual foi a sua reação, e qual foi o caminho para tentar dominar o patch na maior velocidade possível?

Em um primeiro momento eu disse para o meu time não se preocupar demais com heróis com os que nós podíamos ou não jogar, e sim que era para eles continuarem fazendo mais ou menos o que nós fazíamos antes e tentar se acostumar com as mudanças no mapa e com os novos objetivos, em geral, que foi o mais impactante e mais difícil de se adaptar. Depois de alguns dias, porque estava tendo final da DreamLeague, nós teríamos mais tempo para ver estatística de heróis em pubs, e ter uma ideia melhor disso. Daí o foco foi, realmente, jogar. Todo mundo foi jogar, se adaptar, sentir o mapa, se acostumar aos objetivos.

Eu tentei acalmar eles, dizer que as mudanças não tinham sido tão drásticas quanto pareciam. Eram coisas a mais para fazer no mapa, coisas a mais para pensar, mas que não mudava tanto o flow do jogo. Aí eu comecei a ter umas ideias um pouco mais avançadas, como, por exemplo, relacionadas aos portais e aos Roshans, que foi, querendo ou não, uma mudança drástica no jogo, e nós pegamos a base que a gente tinha, os heróis que nós jogávamos, vimos o que ainda servia e o que não servia mais, e fomos adicionando aos poucos o que o meta trouxe de novo.

Eu diria que tivemos uma fase de grupos ruim, justamente porque nós não nos adaptamos a tempo, muitas equipes sofreram, mas no final da fase de grupos nós estávamos bem e já entramos bem nos playoffs, já tínhamos nos adaptado.

Em uma conversa que tivemos com o Three (Talon Esports), ele disse que o flow do jogo deles mudou muito porque a região deles (Sudeste Asiático) está muito acostumada a farmar muito, e agora o Dota gira mais em torno a lutas de equipe no começo da partida. Você está de acordo com isso?

Sim. Antes os abates de early game e da fase de linhas não importavam quase nada, então era muito melhor você jogar orientado a formar, a escalar, para lutar realmente em outros momentos do jogo. Agora, no entanto, como a mobilidade ao longo do mapa e os objetivos foram bem aumentados, e as mecânicas de comeback não são muito apuradas (está muito difícil voltar no jogo), os primeiros 15 minutos da partida são muito importantes.

Você precisa ter boas linhas e você precisa pressionar da forma correta o mapa para que todos os seus heróis tenham níveis. Muitas vezes nem é ouro, muitas vezes é nível, porque existe atualmente muita escassez de experiência no mapa, e se os seus suportes vão mal no early game, eles pegam nível seis muito tarde, você já perdeu muito espaço de mapa, você já tá muito atrás.

Muitas vezes você nem tá muito atrás em ouro, mas você está muito atrás em experiência, sabe? Isso tem um impacto absurdo, é muito difícil de voltar em uma situação como essa. Eu acho que ele tá certo, isso impactou negativamente a gameplay deles. 

Você acha que o patch ajudou a manter o estilo de jogo de vocês ou ele obrigou vocês a se adaptar?

Eu acho que, para o Dota sul-americano, o patch foi ótimo, porque nós não gostamos deste estilo passivo de jogar. Nós gostamos de matar, a gente gosta de sair louco por aí. Se vocês assistirem vários dos nossos jogos desse torneio (Berlin Major 2023), vocês vão ver que demos um deathball absurdo, que nós tomamos conta do mapa em 20 minutos de jogo e que as partidas já estavam 100% acabadas.

Foi só uma questão de tempo para fazer o objetivo, pegar o Roshan, atingir certos timings e fechar o jogo. Mas esse Dota é o Dota que gostamos de jogar. Eu diria que foi bom para nós. Eu diria também que, talvez, tenha sido até uma vantagem em relação às outras equipes, mas, ao mesmo tempo, nós também não tivemos tempo suficiente de nos adaptar, então talvez para próximos eventos pode ser até mais impactante. 

Como foi a preparação de vocês para estar aqui e quais são as expectativas, como time, daqui para frente?

Nós estávamos bem preparados, mas o patch meio que deu uma reviravolta absurda em tudo. Foi tudo muito caótico, na realidade. Foi um período onde todo mundo estava trocando informação, ideias, tentando entender o que funcionava e o que não.

Foi muito na base do talento, porque os jogadores do meu time são extremamente talentosos, e eles se adaptam muito à questão de feeling mesmo, eles sentem o jogo. Tempo de verdade para sentar e analisar nós não tivemos, ninguém teve. Todos tinham a mesma desvantagem, e era uma questão de quem se adaptava melhor.

E daqui para frente, eu acho que agora não terão mudanças tão significativas, apesar de que eu acho que alguns heróis e algumas coisas no mapa tem que ser mudadas, não vai ser algo tão radical como o 7.33. Saindo daqui nós vamos direto para a Gaming House em Fortaleza, e nós já vamos começar a preparação para a próxima temporada da DPC, que começa em 10 dias, e nós vamos treinar regularmente sempre com o foco no TI. Provavelmente o meta de agora vai ser bem-parecido com o do TI, e o objetivo de todo o ano no Dota 2 é sempre o TI. 

Qual é a diferença principal entre jogar aqui (Europa) e ao jogar no Brasil ou no Peru?

Na região do NA e do SA, o pessoal joga, assim como o meu time, muito mais no talento e no feeling. Eles sentem muito mais o jogo, eles são muito mais skillados individualmente, eu diria, mas, ao mesmo tempo, eles não param para pensar no jogo, não param para estudar o jogo. Aqui na Europa as pessoas tentam realmente replicar o que está acontecendo no competitivo, eles tentam pensar o jogo, tem muitas pessoas que pegam um herói e destrincharam ele completamente.

Tem muito assim, aquele player russo que spamma um herói, que entende tudo do herói, que se você jogar contra ele você vai perder. Eu diria que é muito mais organizado, é muito mais pensado, estruturado em geral, o Dota europeu. Mas o Dota sul-americano tem muito mais potencial, eu diria. Simplesmente porque nós somos melhores no jogo, em geral. Isso é real. A gente vem e apanha para o europeu porque eles têm ideias melhores, eles se preparam melhor e se estruturam melhor.